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    ...sinto-me como um ornato composto de traços ondeados que se cruzam e entrelaçam com simetria; tentando me redescobrir e me reinventar sem perder a essência. Com essa probidade, quero, aqui, manter em mim esse vento de espírito jovem, essa curiosidade infantil em relação ás coisas, essa espécie de encantamento em relação ao ser humano. Quero crer que somos muito maiores e mais interessantes que as barreiras que o mundo impõe e que os limites que a vida oferece. Acredito na transformação dos sentimentos e no melhor de cada um. Quero que minha inspiração esteja sempre afiada; colocando em harmonia instinto, alma, criatividade, percepção e uma dose de crítica, que pra mim funciona como uma espécie de veneno destilado. De certa forma, viver, também é seguir essa premissa. O veneno que me refiro é aquele acompanhado de uma grande quantidade de conhecimento, que servirá para discernirmos opiniões. Enfim, se você quer se redescobrir e compartilhar instantes, detalhes e informações; venha fazer parte do meu mundo!
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PRATIQUE O DESAPEGO – PARTE II

Gente Boa;

Vocês me pediram uma missão quase impossível…rsrsrs. Como é difícil escrever sobre o desapego. Em todos os sentidos.

Falo por experiência própria. Vai fazer 4 anos que estou tentando de tudo pra encerrar um ciclo bem especifico da minha vida. É difícil e dolorido virar a página, dói na alma encerrar um capítulo…doe pra escrever, doe só de lembrar…

Por mais que queremos esquecer o passado, como é complicado. Afinal, o que somos hoje é muito do que vivemos anos atrás.

Nossas experiências, o modo de ver a vida, o fato de como encaramos uma determinada situação entre tantas outras coisas, derivam do que já vivemos, do que já passou.

Mas por que não conseguimos deixar totalmente no passado os momentos que se acabaram?!

Sábio, Fernando Pessoa, quando diz sempre é preciso saber quando uma etapa chega ao final…Se insistirmos em permanecer nela mais do que o tempo necessário, perdemos a alegria e o sentido das outras etapas que precisamos viver”.

E como fazemos isto?! Minha vontade é de sair gritando aos quatro cantos do mundo: “EU NÃO CONSEGUI ESQUECER”. Não consegui por um ponto final; não consegui…

“Não há nada mais perigoso que rompimentos amorosos que não são aceitos, promessas de emprego que não têm data marcada para começar, decisões que sempre são adiadas em nome do “momento ideal”. Antes de começar um capítulo novo, é preciso terminar o antigo: diga a si mesmo que o que passou, jamais voltará! Lembre-se de que houve uma época em que podia viver sem aquilo, sem aquela pessoa – nada é insubstituível, um hábito não é uma necessidade. Pode parecer óbvio, pode mesmo ser difícil, mas é muito importante” (Fernando Pessoa).

Agora, uma coisa é fato: eu aprendi a viver sem ele. Já deu pra perceber que estou falando de relacionamento, ou seja, do meu ex marido. O qual, não tenho vergonha nenhuma em admitir que foi e será o grande amor da minha vida.

Eu tentei! Mudei três vezes de casa, morei em duas cidades diferentes, me casei novamente e já me separei – “lógico”. Me desfiz de roupas, limpei as gavetas, pintei as paredes do novo apartamento, joguei fora objetos….menos as fotos, estas ficam de presente pro meu filho. E também, foram 15 anos…Maravilhosos. Que não voltam jamais.

O relacionamento chegou ao fim e nós nunca mais voltaremos. Acreditamos nisto!

Mas não significa que o amor acabou. Como não vou amar a pessoa que me deu o Bem mais precioso da minha vida? Como não amar a pessoa que viveu comigo dos meus 16 anos aos 30? Anos de transformação, anos de aprendizagem, anos de amadurecimento, anos de profissionalização, anos de quebrar muito a cara; anos de aprender a levantar de todas as quedas, anos, após anos…acredito que foi a melhor pessoa que poderia ter vivido comigo! O que dividimos juntos foi único!! E continua…hoje compartilhamos um AMOR INCONDICIONAL….o Beni, nosso filho!!

minhaFoto10

 

Disso tudo o que eu aprendi:

maturidade

 

Fiz exatamente isto com o Nê, inverti a prioridade. Mesmo assim, precisa haver muita maturidade no ato, não sei se consigo ser tão madura ao ponto de dar literalmente um ponto final no sentimento. Sentimento, que merda!

E pra piorar quando penso nele lembro da música, da Banda Malta, Memórias…você conhece?!

Hoje eu vejo que não consigo entender 
O que houve entre nós 
Eu ainda consigo ouvir sua voz 
Me dizendo o que eu já sei 

Tudo tem um começo e um fim 
Eu vejo a dor em seu olhar 
E mesmo sem querer eu te deixo partir 
Pra que possa tentar ser feliz outra vez 
Recomeçar 

E quando eu me perco em suas memórias 
Vejo o espelho contando histórias 
Sei que é difícil de esquecer essa dor 
E quando penso no que vivemos 
Fecho os olhos, me perco no tempo 
Pra mim não acabou 

Tudo tem um começo e um fim 
Eu vejo a dor em seu olhar 
E mesmo sem querer eu te deixo partir 

E quando eu me perco em suas memórias 
Vejo o espelho contando histórias 
Sei que é difícil de esquecer essa dor 
E quando penso no que vivemos 
Fecho os olhos, me perco no tempo 
Pra mim 

Sei que você vai seguir, mas eu não vou desistir 
Eu espero que você se entregue nesse amor 
Sei que você vai seguir 
Mesmo com a dor vai lembrar de mim 

Hoje eu vejo que não consigo entender 
O que houve entre nós 

E quando eu me perco em suas memórias 
Vejo o espelho contando histórias 
Sei que é difícil de esquecer essa dor 
E quando penso no que vivemos 
Fecho os olhos, me perco no tempo 
Pra mim não acabou 

E quando eu me perco em suas memórias 
Vejo o espelho contando histórias 
Sei que é difícil de esquecer essa dor 
E quando penso no que vivemos 
Fecho os olhos, me perco no tempo 
Pra mim não acabou 

Pra mim não acabou

Mesmo assim recomeço todos os dias! Olho pro Beni e meu coração irradia Felicidade!! Revejo nos olhos dele “alguém que um dia eu quis só pra mim…”. Mas vejo, além disso…enxergo uma criança linda, abençoada, uma dádiva dos deuses!! Um ser tão inocente, e tão inteligente que me deixa em estado de plenitude. Olho pra ele e me sinto completa, amada, querida, me sinto Única!! Me sinto mãe!!

 

minhaFoto26

 

Quando eu fico me lembrando do passado é como um sonho que já acabou. Mas é bem como aquele dito popular “eu só dei valor depois que havia perdido”…então não devo ficar me remoendo pelo o que já chegou ao fim. Apenas tenho que guardar as boas recordações e continuar minha caminhada, uma outra jornada e quem sabe, talvez, mais uma outra cidade?! Por que não?! A vida não é um eterno recomeço?!

Recomecemos. Sempre!!

O desapego no dicionário consta assim:

de·sa·pe·go |ê|

substantivo masculino

  1. Facilidade em deixar aquilo a que se tinha apego.
  2. Indiferença, desinteresse.

Palavras relacionadas:

desapegadodesinteressedesapegardesapegamentodesprendimentodespegodesapropriação

.de·sa·pe·gar – Conjugar

verbo transitivo

  1. Despegar.
  2. Fazer perder a afeição a.

 verbo pronominal

  1. Perder a afeição a.
  2. Perder o interesse, o empenho por.
  3. Largar; soltar-se; desagarrar-se.

“desapego”, in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2013, http://www.priberam.pt/DLPO/desapego [consultado em 19-03-2015].

Até o presente momento consegui alcançar apenas o 5º item: 5. Largar; soltar-se; desagarrar-se.

Não consegui perder a afeição e tampouco ser indiferente. Talvez não consiga nunca…mas pra mim, já é um grande passo. Pode ser pequeno pra você, ou pra qualquer outra pessoa…mas a vida tem esses percalços. E particularmente, eu “tento ser uma pessoa melhor, não perfeita, apenas melhor que ontem”, (não sei de quem é esta frase, mas é ótima e propicia para a ocasião).

Dito isto, confesso que este ano dei uma guinada em outra área da minha vida. Tentando ser profissionalmente, um terço do que eu era antes, iniciei meu doutorado. Agora que o Beni está melhor da asma, posso voltar a pensar em mim. Posso voltar com tudo pro mercado de trabalho e, apesar da crise pela qual o país enfrenta, continuo firme em meus objetivos e se Deus quiser muito em breve estarei lecionando novamente ou atuando em alguma área jornalística! O que realmente importa agora é não perder a FÉ! Contar com a sorte, com os amigos, família sempre, e seguir….

….eu sei que a estrada é longa; contudo tenho o Beni ao meu lado, ele me dá força, traz alegria aos dias nebulosos e me faz rir….como é bom rir; como é bom viver com uma criança, como é bom brincar todos os dias!!

CIMG2786

 

 

brincar

Desde que o Beni nasceu tive que abrir mão da minha carreira profissional pra cuidar da saúde dele. Confesso: valeu a pena e faria tudo de novo!

Perdi muitas propostas de trabalho, ofertas irrecusáveis…mas era a vida do meu filho que estava em jogo. E com saúde não se brinca. Não desejo a ninguém ter em seus braços seu filho praticamente parando de respirar devido a uma crise asmática. É horrível.

Mas passou, como tudo passa. E o que me resta agora?!

RECOMEÇAR!!

O sentimento pelo Nê ganhou uma caixinha fechada a sete chaves em meu coração e, essa caixinha com nossa história ficará pra sempre guardada. Assim eu consigo seguir…

…quanto ao resto Deus providenciará!! Estou fazendo minha parte e como Ele nunca me abandonou, não será agora que me deixará na mão. Mesmo com o país em crise. Não existe crise pra Deus!

Por isso, Gente Boa, a dor de certa forma é necessária. As batalhas são importantes. Não interessa quem ganhou ou perdeu. O que importa é o que aprendemos nesta guerra e como saímos dela. Com certeza nosso coração, ou porque não dizer nossa alma, sai ferida, machucada, com cicatrizes profundas que só o tempo; o velho e bom tempo vai nos fortalecendo novamente para sermos felizes!

beni e eu

Enfim, depois de tudo que compartilhei aqui com você não creio que sou a pessoa mais indicada pra falar ou dizer como praticar o desapego. Por outro lado, estou aqui tentando.

Talvez, loucura seria dizer que eu consegui. Pra aqueles que me conhecem sabem que quando eu amo, sou fiel….amo de verdade. Amo as pessoas pelo que elas são. E depois, por mais que eu queira acreditar que o coração está na cabeça….poxa, estou neste mundo pra aprender, pra evoluir…e, ainda, sou muito imperfeita. Tenho tanto que crescer espiritualmente…

Conclusão:

aprendi

 

E você? Conseguiu desapegar? Ou, o que aprendeu com sua perca?

Beijos e até o próximo post.

 

Quando não há palavras

AMO VOCÊ

DSC07404

Não há palavras
Que possam expressar
A intensidade do amor
Que sinto por você

Queria inventar
Uma palavra inédita e especial
Que pudesse recitar pra você
Em meio a poesias apaixonadas

Enquanto eu não invento essa palavra
Olhe nos meus olhos
Você vai encontrar
Um amor inédito só pra você

Eu te amo,
Mesmo quando não há palavras
Eu te amo,
Mesmo quando não há sorriso

Eu te amo,eu te amo
Eu preciso te dizer
Eu te amo,
Te amo meu amor

De Janeiro a Janeiro

Amor incondicional!!

Amor incondicional!!

Dedico a vocês! Independente do presente. Por todo o SEMPRE!!

CONSEQUÊNCIAS

“O remorso é a única dor da alma, que nem a

reflexão nem o tempo atenuam”,

Madame de Stael.

A VIDA É SURDA E MUDA AO MESMO TEMPO EM QUE É MAGNÍFICA

Hoje fiquei muito triste. Acabei de falar com uma amiga de infância que amooo; pra mim a Maria, pra família a Bia, que estava a quase dois meses “ensaiando” uma forma de como me contar que o irmão dela, o Marcos, havia falecido. Nunca haverá uma forma fácil de dar esse tipo de notícia. Por mais que eu acredite em reencarnação; ainda, não consigo “encarar” a morte com bons olhos….mas minha relação com a morte é outra história…

Bom; o Marcos não foi só o irmão da Maria; da Cláudia; da Mônica; da Cintia; da Daiane; e filho do Sr. Antônio e da Dona Maria….é eu sei…a família é enorme….e eu posso dizer que fiz parte – digamos que durante 10 anos consecutivos. Diariamente eu estava com eles, ou a Maria estava em minha casa.

Pena que na maioria das vezes é só nessas horas que nos recordamos de como a infância é gostosa, divertida e ao mesmo tempo importantíssima para a construção do nosso caráter. Porém, o que nos toca de verdade é a saudade, sem mencionar aquelas perguntas: por que ficamos tanto tempo afastados? Por que nos “falamos” mais por e-mail? Por que nos vemos uma ou no máximo três vezes por ano? Por que não temos mais tempo? E por aí vai….

….perguntas e mais perguntas que nos torturam e não temos a resposta. Sinceramente, sabemos a resposta, porém preferimos não encará-la. Em outras palavras, seremos honestos; a resposta de todas essas perguntas é: porque não sabemos administrar nosso tempo. E falando em tempo, automaticamente retornamos ao passado.

Daí compreendo porque a Maria não sabia como me contar. São nessas horas que mexemos no nosso “baú de recordações”; é um momento meio eloqüente com nós mesmos. O saudosismo se faz presente; lembranças de brincadeiras alegres; travessuras; namoricos; segredos; diários; enfim sorrisos e mais sorrisos que se chocam com a dor da perca.

Bom, já percebeu que meu “baú de recordações” foi ativado pela Maria. Sinto-me confusa num turbilhão de sentimentos. O meu lado espiritualista está feliz; porque o Marcos era uma dessas pessoas que irradiava luz por onde passava e cada pessoa que teve o privilégio de conviver com ele vai concordar comigo que ficou com uma “marca”. A “marca do aprendizado”. Sem mencionar o dom que ele tinha de transmitir bons sentimentos numa energia forte e gostosa através de um abraço, ou muitas vezes só com um olhar. Ele é uma daquelas poucas pessoas que quando “faz a passagem”, nós só agradecemos por ter tido a oportunidade de conviver com ele, já que acrescentou; compartilhou; ensinou; ou seja, ele só se doou o tempo todo, sem nunca ter pedido nada em troca. Por isso sinto-me feliz. Sei que está em um ótimo lugar, cercado pelos anjos do Senhor!!

Pra mim, o Marcos foi muito mais que isso. Ele sempre fará parte da minha história, porque pude passar bom tempo da minha infância ao seu lado. E justamente com ele aprendi ver a vida de uma forma diferente. Infelizmente, nem sempre consigo por em pratica; mas é um jeito ímpar e lindo: “A vida é colorida; perfeita do jeito que Deus nos deu; simples; as pessoas são boas – basta olharmos suas almas e não apontarmos as imperfeições; temos que ter sempre fé; a comunicação com o ser humano é a coisa mais fácil do mundo; todos os movimentos são mágicos porque eles transmitem mensagens, as quais nossas retinas e corações captam; porque a vida é surda e muda ao mesmo tempo em que é magnífica”!!

Isso foi uma das coisas que o Marcos me ensinou. Ah! raríssimas pessoas sabem disso; mas toda vez que eu abaixo todo o volume da televisão eu me recordo de uma cena, que na verdade a repetíamos diversas vezes: o Marcos, a Maria e eu ficamos horas assistindo TV sem volume. Era sessão da tarde, ou desenho animado, enfim…ficávamos lá sentados no sofá por horas só olhando as imagens…..e depois explicávamos um ao outro o que tínhamos entendido através da linguagem de sinais. Em resumo era só risada…pra variar, eu era a mais “lesada”, viajava geral…entendia totalmente o contrário dos dois!! Com o tempo acabei aprendendo e confesso que não troco essa experiência por nada nesse mundo. Porque esses momentos são aqueles que não há dinheiro no mundo que pague.

Por fim só agradeço a Deus por ter posto a Maria na minha vida que é uma pessoa encantadora que desde o dia que nos conhecemos já me apresentou sua família, a qual me adotou como membro e consequentemente, o Marcos, na época ainda moleque, mas o único que me mostrou uma interface da vida que nenhuma outra pessoa ainda o fez!!

Pra encerrar postarei uma linda mensagem que a Cláudia escreveu em seu Blog para homenagear o irmão:

“ UM ANJO CALADO…”

Amigos e familiares estou muito triste, acabo de perder uma pessoa muitíssimo querida em minha vida, perdi meu irmão que iria completar 36 anos dia 17.11.

Se algum de vocês já perdeu um irmão talvez entenda o que eu estou sentindo,é muito difícil agente pensar que aquele que correu, brincou de pega-pega, riu, competiu para saber quem conseguiria comer mais rápido, que tomava banho de chuva, que hoje não esta mais aqui.

É estranho de um dia para o outro você saber que não terá um abraço tão sincero e tão caloroso, o abraço do irmão mais velho, que muitas vezes parecia o mais novo, que sempre tinha um sorriso no rosto, que embora não falasse e nem ouvisse (deficiente auditivo), conseguia através de o afeto dizer o quanto ele te amava.

Ontem em seu velório, fui surpreendida por ver que ele teve a visita de mais de 200 pessoas que queriam despedir-se dele, e aí uma surpresa.

Descobri que ele foi simplesmente um dos melhores seres humanos com quem convivi, percebi que lá onde ele trabalhava há um ano e meio e onde estudava, ele era uma pessoa de destaque e respeito, ele sempre tinha um sorriso sincero para todos independente de ser o gerente geral ou o porteiro, o padeiro ou a moça da limpeza, ele tratava a todos de maneira igual, e ele foi para todos uma pessoa especial.

Ele trabalhava num supermercado e já tinha sido indicado pela 5° vez nesse ano como melhor funcionário do mês, lá tinha sua foto estampada na parede.

As pessoas faziam fila para se despedir dele, queriam abraçá-lo, uns não acreditavam, outros agradeciam por ele ter sido alguém tão bom, tão íntegro, as pessoas diziam que ele nunca trabalhou triste, que achava importante trabalhar no açougue, que pelo fato de não ouvir ou não falar nunca tinha interferido em nada, da sua maneira sempre dizia o que pensava do seu jeito ensinava o verdadeiro significado da vida, fazer o bem ao próximo.

Fiquei feliz e triste, feliz por saber que ele tinha conquistado o que muitas pessoas tentam, da maneira mais natural do mundo que é “ser amado e ser aceito”, ele tinha muitos telespectadores que o aplaudiram, por ele ser quem era para eles simplesmente o Antônio, para nós o Marcos.

Fiquei triste porque estive um pouco ausente nesses últimos dois anos e não vi tudo isso acontecer, que não acompanhei sua maior conquista: viver sua vida de uma maneira simples e igual a todo mundo, ou seja, o que para muitos era castigo, para ele era uma conquista, ele era satisfeito por ser o açougueiro.

Por muitas vezes o protegemos tanto, que nunca percebemos que lá dentro tinha um ser tão grande, que tinha tantas capacidades, que queria voar como um pássaro, vi que lá muitas pessoas se esforçavam para falar a língua de sinais (LIBRAS) só para conversar melhor com ele, vi que lá em seu novo trabalho, em apenas um ano e meio ele fez amigos sinceros, verdadeiros e que queriam saber o que ele tinha pra dizer.

Eu, porém agora não posso mais falar com ele e dizer-lhe que sinto muito e que queria saber o que se passava em seu coração, quais eram seus planos e o que o fazia tão feliz, quais suas motivações.

Como pode uma pessoa dizer tanto, sem nunca ter dito uma palavra?

Como pode alguém ter entendido tanto as pessoas sem nunca ter escutado delas suas dores, suas angustias, seus sonhos?

Como poderia dar tanta esperança se ele nem imaginava o que passava ao seu redor, não ouvia noticiário, não lia jornal, não sabia que existiam tantos problemas, apenas acordava todos os dias com a missão de viver sua vida e fazer o bem ao próximo;

Todos os dias que chegava para trabalhar cumprimentava seus amigos de trabalho, se pudesse apertava a mão de todos;

Fazia questão de despedir-se das pessoas e dizer através de um sinal com as mãos “Até amanhã”.

Dava beijos em todas suas amigas, e apontava sua bochecha, indicando que também queria um beijo, sua simplicidade comovia.

Sempre que podia apertava a mão das pessoas ou as abraçava, pois como não falava dizia o que queria e sentia através das demonstrações de afeto.

Tocava o ombro das pessoas quando elas estavam nervosas, demonstrando que deveriam se acalmar apontava para o céu e dizia que lá em cima tinha alguém cuidando de nós;

Fazia brincadeiras e pegadinhas marotas, ria das pessoas e das situações e fazia elas rirem de si mesmas.

Ele foi um anjo calado, esteve conosco para ensinar o quanto é importante fazermos o bem, sermos do bem, amar por amar, abraçar por abraçar, só para se sentir bem, só para fazer se sentir bem.

Ele sorrio, para ver sorrir, ele pediu paz, para sentir a paz.

Ele foi sincero para ter amigos, ele foi amigo para amparar.

Esse é o nosso anjo calado que disse tanto sem nunca ter pronunciado uma só palavra.

Essa é a definição que dou para meu irmão, Antonio Marcos Dias o ANJO CALADO.

Sua irmã

Claudia Rodrigues Dias…